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Mentiras financeiras: em quais delas você já caiu?

Jogar limpo na relação com o dinheiro ajuda a construir uma ligação mais saudável com as finanças e evita que o planejamento seja impactado
1 de abril de 2025 em Nacional
Gasto por impulso: cuidado para não cair nessa. Foto: Getty Images

Contar aquela mentirinha para si mesmo só para aliviar a consciência na hora de realizar um desejo é algo que quase todo mundo já fez. Mas a mentira pode custar caro.

Mila Gaudencio, educadora financeira e consultora do will bank, alerta que algumas desculpas como “mês que vem eu compenso” ou “é só um parcelamento pequeno” podem acabar se repetindo e, com isso, desencadear um comportamento distorcido da própria realidade financeira.

“Mas por que contamos mentirinhas para nós mesmos? É uma forma de justificar um gasto que traz satisfação temporária. E um dos gatilhos para isso pode ser a comparação com os outros”, comenta a consultora.

O “eu mereço” se destaca como uma das principais mentiras financeiras. Mesmo que o sentimento de merecimento seja real, esse reforço acaba trazendo mais ansiedade do que prazer duradouro. “Uma boa estratégia é usar a técnica do dia seguinte: se pergunte se a vontade ainda vai estar lá amanhã caso você não compre no momento. Se a resposta for ‘não’, é um sinal para repensar a compra”, recomenda Mila.

Outra mentirinha comum surge depois de viagens ou do fim de ano: “’Se eu olhar minhas contas vai ser pior’ ou ‘melhor nem abrir o aplicativo do banco’. A verdade é que ignorar os números pode até dar um alívio temporário, mas o problema não vai sumir. É preciso encarar os gastos e ajustar os próximos passos financeiros. Esse sentimento vem, principalmente, da relação complicada que os brasileiros têm com o dinheiro”, aponta Mila.

E tem também a clássica mentira “mês que vem eu compenso”. Esse pensamento pode criar um ciclo perigoso de adiamento das decisões financeiras importantes. Em vez de esperar sobrar dinheiro no próximo mês, o ideal é definir um valor fixo para guardar ou investir. “Fazer um checklist mensal é um caminho para realmente conseguir aplicar essa recomendação”, sugere.

Por fim, ainda há aquela mentirinha amiga dos cartões de crédito: “É só um parcelamento pequeno”. O problema é que várias parcelas pequenas, somadas, podem virar uma baita dívida e bagunçar a vida financeira. Mila reforça que parcelar não é um problema, desde que aquele valor seja considerado no planejamento financeiro dos próximos meses. “Parcelar no cartão possibilita adquirir produtos ou serviços que muitas vezes não conseguiríamos comprar à vista. Mas, para garantir que as parcelas não vão virar uma bola de neve, uma boa tática é o ‘1 para 1’: antes de fazer uma nova compra parcelada, quite uma parcela antiga. Assim, você limita o acúmulo de dívidas”, sugere a educadora. “É bom lembrar que se deparar com mentirinhas financeiras é normal. O mais importante é reagir com consciência ao notá-las no dia a dia. Além do autoconhecimento financeiro, ter um espaço de conversa aberto — inclusive explorando a relação emocional com o dinheiro — ajuda a fortalecer a consciência e fugir das mentiras para si”, diz Mila.

 Menina com celular. Foto criada por diana.grytsku - br.freepik.com

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